uma boa observação detalhada, nos permite manejar o solo de forma correta, melhorando sua fertilidade e diminuindo drasticamente o uso de defensivos, possibilitando uma agricultura com menor agressão e com maisor produtividade. abaixo apresentamos uma lista com algumas dessa plantas.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Plantas Indicadoras
uma boa observação detalhada, nos permite manejar o solo de forma correta, melhorando sua fertilidade e diminuindo drasticamente o uso de defensivos, possibilitando uma agricultura com menor agressão e com maisor produtividade. abaixo apresentamos uma lista com algumas dessa plantas.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Bois de Botas
Por razões históricas, os lageanos receberam a alcunha de "Boi de Botas". Durante a Guerra Farroupilha, uma das maiores epopéias da história do Brasil, forças rebeldes aqui proclamaram a República, que acabou tendo uma vida efêmera. O idealismo da luta farrapa que durou 10 anos, e a valentia dos heróis anônimos, marcaram uma importante página na história de Lages. Em 1839, aqui formaram um pelotão de Cavalaria, que seguiu serra a baixo, para o combate que objetivava a tomada de Laguna. Ao lado dos farrapos, lutaram Giuseppe e Anita Garibaldi. Em pleno combate, os canhões e carroções puxados por bois, atolaram na lama e foram retirados a força pela comitiva lageana, o que provocou o comentário do Comandante David Canabarro ao Coronel Serafim de Moura, que chefiava a expedição: "Seus soldados se portaram com tal bravura e força, como se fossem verdadeiros Bois de Botas". Em vista do civismo e bravura que o originou, "Boi de Botas" é sinônimo de heroísmo, de que se orgulham todos os lageanos.
fonte:portallageano.com.br
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Povos Indigenas de Santa Catarina
Quandos os primeiros colonizadores chegaram em Santa Catarina, esta terra já era habitada por povos de diversas tribos indigenas, homens q habitavam nossas matas e florestas, e que a exemplo das demais regiões do país tiveram suas terras usurpadas, sendo tratados como animais pelo branco que aqui chegou e tomou posse de suas terras.Santa Catarina e suas Etnias
Um estudo genético realizado em Costa da Lagoa e em São João do Rio Vermelho, ambas comunidades isoladas de Santa Catarina fundadas por colonos açorianos, revelou que esta população ainda permanece geneticamente próxima à população portuguesa dos Açores, embora elementos africanos e indígenas tenham penetrado nessas comunidades. A ancestralidade dessas comunidades continua predominantemente europeia (80,6%), mas não é exclusivamente açoriana, pois foi detectada considerável mistura africana (12,6%) e indígena (6,8%).
A imigração alemã em Santa Catarina iniciou em 1829, quando 523 alemães oriundos de Bremen fundaram a colônia São Pedro de Alcântara. A vinda de alemães para o Brasil foi incentivada pelo Imperador Dom Pedro I, que pretendia povoar o Brasil meridional a fim de promover o crescimento econômico da região. Diversas outras colônias alemãs foram criadas no estado. As de maior êxito foram as colônias de Blumenau, em 1850, e de Joinville, em 1851. Estas duas colônias foram as responsáveis pelo sucesso da imigração alemã no estado. Cerca de 40% da população catarinense é de origem alemã. A imigração italiana foi a corrente imigratória mais numerosa já recebida por Santa Catarina. Os italianos começaram a chegar ao estado em 1875, provenientes principalmente das regiões do Vêneto e da Lombardia. Assim como ocorreu com os alemães, foram criadas dezenas de colônias etnicamente italianas, sendo as mais prósperas na região do vale do rio Tubarão. As primeiras colônias italianas foram fundadas no litoral de Santa Catarina. No início do século XX, italianos vindos do Rio Grande do Sul passaram a migrar para o oeste de Santa Catarina, e ali as colônias italianas prosperaram. Aproximadamente 30% da população de Santa Catarina descende de italianos
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Para refletir
espero q leiam pois retrata uma triste verdade. nossos produtores familiares estão sendo execrados por politicas públicas criadas por ditos letrados q não conhecem o pesar da vida campesina e acham q ficar com a bunda gorda numa cadeira vai resolver os problemas. decerto comem papel e caneta e esquecem quem produz.
Prezado Luis, quanto tempo.
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Turismo na Serra
Falo deste em especial, por que os laços que unem essas pessoas, não são hoje comuns e fáceis de serem encontrados, a honestidade, o carisma e a hospitalidade natural do homem campesino, fazem desta belíssima família em potencial um marco na história desse município, e nos dão o exemplo que com boa vontade, amor e muito trabalho é possível viver de forma harmônica, singela e de bem com a vida.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Erval Velho
O atual município de Erval Velho, teve como seus primeiros moradores, os senhores: Cel. Honorato Vieira, Cel. Zeferino Cândido Bittencourt, Major Sátiro Bittencourt e as Famílias Bello e Pires. Estas famílias descendentes de italianos, vieram do vizinho Estado do Rio Grande do Sul. Fixaram-se na região em meados de 1870, às margens do Rio Erval. Nos primórdios tempos foi habitado por silvícolas da Tribo Bororós, conforme vestígios arcanos aqui encontrados.
Quando aqui chegaram formaram um povoado e construíram uma capela que tinha como padroeiro São Sebastião. Conforme constatado, nas primeiras famílias a imigrarem para a região, seus patriarcas ornavam-se por pré-nomes militares, razão esta que certamente influenciou na construção de uma capela em honra a São Sebastião, tendo sido este um Mártir Santo guerreiro do Imperador Diocesano. O pequeno povoado recebeu o nome de São Sebastião do Erval, posteriormente Arco Verde, devido a grande quantidade de ervais (erva-mate) existentes na região.
Erval Velho, em seus anos de colonização, também conheceu a prolongada Questão do Contestado, a chamada “Guerra Sertaneja”. Em vários locais do Município o Monge “São João Maria”, como era chamado, passou peregrinando, deixando muitos vestígios de cura e fé nos seus devotos.
No ano de 1881, o povoado foi elevado à categoria de Distrito de Campos Novos, com o nome de Erval Velho.
No dia 20 de janeiro de 1950, a capela de São Sebastião, passou a categoria de paróquia, desmembrando-se do município de Campos Novos.
O município foi instalado em 27 de julho de 1963, criado pela Lei Nº 889 de 18 de junho de 1963. Comemora-se o dia do Município em 18 de junho.
A vila de Erval Velho passou a categoria de município, desmembrando-se do município de Campos Novos, tendo como primeiro prefeito o Sr. José Zeferino Pedrozo, nomeado pelo então Governador Ivo Silveira.
Gentílico: Ervalhense.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Capacitação
Ao todo são realizados cerca de 400 treinamentos mensais, que junto com outros programas e outras entidades, fortalecem a Agricultura Familiar Catarinense e fazem com que o nosso agricultor não precise deixar sua propriedade e sim tenha condições de vida digna.
domingo, 22 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Uma Nova Possibilidade

Pessoas diferentes, com culturas e costumes diferentes, mas que formam em uma só unidade essa maravilha étnica que é o Estado de Santa Catarina, muito bem distribuido em suas regiões, das quais destacamos: Oeste e Meio Oeste Catarinense, onde a força do homem do campo brota como a semente cultivada no solo, onde o vinho, é doce como a uva dos parreirais dos vales.
Região Serrana e Planalto Norte, a força da pecuária e da madeira. Norte com a esploração mineral, Sul com a industria textil e por fim o Litoral, com o turismo a pesca e a cultura açoriana já retratada neste blog.
Um único Estado, diversas opções, novas oportunidades que ai estão para todo aquele que acredita na força do trabalho, que se emciona com as paisagens, que aquece o coração com o frio mas, que principalmente é apaixonado por Santa Catarina.
Seja na industria, no comércio, nas artes, no cultivo do solo ou no turismo, este é o verdadeiro palco de oportunidades.
Texto criado pelo grupo
Conheça Santa Catarina
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Rendas de Bilro

A renda de bilro surgiu no século XV, na Itália. Anos depois, a arte do rendado chegou à França invadindo a Corte do Rei Luís XIV e os centros produtores de Portugal. Com a colonização portuguesa, esta arte chegou ao Brasil. Hoje, devido à forte presença açoriana em Santa Catarina, as mulheres que "trocam bilros" (batem os pauzinhos) concentram-se na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
A avenida das rendeiras como ficou sendo conhecida devido a intensidade, de rendeiras que trabalhavam, é o caminho para quem vai as prais do leste, destacamos a praia da Joaquina como ponto referencial.
Hoje porém, esta atividade tem perdido espaço, sendo praticada por poucas rendeiras, que ainda cultivam esta arte, e que ao mesmo tempo temem que desapareça, pelo não surgimento de novas rendeiras.
Acreditamos, que esta atividade simbolo da ilha será perpetuada, ja que é um dos grandes atrativos turisticos do litoral Catarinense.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Vivendo Florianópolis

Encontra-se na Ilha de Santa Catarina, banhada pelo Oceano Atlântico, é uma região de belezas naturais raras, onde juntamente com a região continental formam um conjunto de 100 praias, algumas praticamente intocadas e desertas.
É a capital brasileira com maior indice de desenvolvimento humano, segundo relatório da ONU, e a quarta cidade brasileira em qualidade de vida.
Seus primeiros habitantes foram os índios carijós de origem tupi-guarany, mas existem registros de povoamento de civilizações dos sambaquis datadas de 4800 a.C..
Seu maior cartão postal é a Ponte Hercilio Luz, a primeira forma de ligação da ilha com o continente. Florianópolis abriga hoje uma populaçõ de cerca de 400 mil habitantes.
Seu primeiro nome foi Ilha de Santa Catarina, depois quando passou a categoria de vila foi chamada de Nossa Senhora do Desterro, até tornar-se cidade onde passou a chamar-se Desterro, após o Fim da Revolução Federalista de 1894, Hercilio Luz mudou o nome para Florianópolis em homenagem ao Presidente Floriano Peixoto.
saiba mais...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Conhecendo Laguna

Para quem deseja desfrutar de uma bela paisagem, e muita história, uma ótima opção é Laguna no Litoral Sul do estado.
Cercada pelo mar, apresenta uma beleza peculiar, tendo como principais pontos turisticos, o Morro da Glória, o Farol de Santa Marta, o Cais do porto, onde é realizada a tradicional pesca com os botos, além da Igreja de Santo Antonio dos Anjos, o Museu de Anita Garibaldi, e a Casa onde viveu Anita, a nossa Heroína dos dois Mundos.
De colonização açoriana guarda até hoje sua caracteristica arquitetonica bem evidenciada, nas construçóes muito bem preservadas.
Outro atrativo é a encenação da tomada de Laguna, durante a revolução farroupilha, retratada com detalhes todos os anos no mês de julho.
Terra de um povo alegre e hospitaleiro laguna é sem duvida alguma um dos melhores pontos de turismo de nosso estado e você não pode perder essa riquissima oportunidade.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Cultura de Rua
Do mímico, ao solitário rapaz com seu violão, dedilhando canções que bem ao certo, para os mais vislumbrados toca a alma, todos traduzem seus sonhos, ideais , sentimentos e pensamentos.
Pessoas muitas vezes simples, nômades levando sua arte pelas estradas deste país que Deus nos deu. São eles que por deveras vezes nos fazem deixar de lado as preocupações do trabalho e a responsabilidade do dia a dia, para encontrar-mos com o nosso eu mais profundo: "Aquele artísta escondido das horas vagas que sempre desejou apresentar-se mesmo que em praça pública".
Agora neste instante, encontro-me diante do pc, lembrando dos bons tempos de dança, que com a graça divina ainda hão de voltar, aproveito o ensejo para parabenizar estes artístas da vida...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Educação: a última fronteira

escrevi este post, para homenagear minha mãe Estela e o exmplo de ser humano que foi durante toda sua vida.
Estela nasceu no ano de 1943, em meio a IIª grande guerra, eram tempos difíceis, para descendentes de italianos. Filha de agricultores oriundos do Rio Grande do Sul, sempre demonstrou uma paixão irrequieta pelo saber.
Nascida em Erval Velho (interior de santa Catarina), formou-se em Ciências Sociais na UNIPLAC em Lages em 1975 onde destacava.
__Eram tempos difíceis, varias foram às vezes em que me debruçava sobre pedras no Rio do Peixe em Joaçaba lavando roupas para casas de família para custear meus estudos, mas valeu a pena.
No mesmo ano começou no magistério publico estadual, dando aula no Grupo Escolar Cel. Henrique Rupp em Erval Velho, onde tempos depois assumia a direção por quase dez anos.
Sua formação não parou por ai, formou-se em Pedagogia pela extinta Fundação Educacional do Meio Oeste Catarinense (atual UNOESC) no ano de 1980.
Foi vereadora no período de 1979 a 1981, professora de destaque da CNEC (Campanha Nacional das Escolas da Comunidade) de Erval Velho de 1985 a 1990.
Em 1983 assumiu a secretaria municipal de educação do município, cargo que ocupou até 1994, tendo papel de destaque no desenvolvimento educacional do município.
Apaixonada pelos estudos, Dona Estela como era conhecida jamais, poupou esforços para que os munícipes tivessem acesso a ensino de qualidade.
__O saber não ocupa espaço, é formador do caráter e uma das formas de levar o cidadão a plena cidadania.
Riquíssima culturalmente desempenhou papel de líder da comunidade, mãe de filhos gêmeos: Marcos e Maria, ficou conhecida pelos relevantes serviços prestados a educação e mesmo depois de aposentada em 1995, não deixou de dedicar-se a educação e cultura.
Faleceu no dia 19 de dezembro de 2003, acometida de diabetes.
Meses depois veio o reconhecimento por parte de colegas e amigos, a inauguração da Biblioteca publica Municipal Profª Estela Nair Provenzi Stürmer.
Estela partiu e deixou saudades, mas seus exemplos e o amor pelo saber perduram até hoje.
(Fonte: amigos, colegas e família.)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O Povo Dos Sambaquis
Os sambaquis nos provam a existência de comunidades de caçadores e coletores, os quais, consumiam os moluscos, para depois amontoar suas cascas para morar sobre elas, já que constituíam um lugar alto e seco.
No interior dos sambaquis foram encontrados vestígios de fogueiras, instrumentos cortantes, amoladores, restos de mamíferos, além de ossos de peixes, répteis e baleias.
Sabe-se, portanto, que este povo, que viveu há mais de 1.500 anos atrás, já produzia machados de pedra polida, ornamentos de conchas, instrumentos feitos de ossos de animais e zoólitos ou pequenas peças esculpidas em pedra representando animais.
Foram ainda encontradas ossadas humanas, depositadas com seus pertences, o que nos leva a acreditar que os sambaquis também eram usados como Monumentos Funerários.
Ocupação após ocupação, passou-se milênios, o que fez com que os amontoados de moluscos alcançassem alturas fantásticas. O Estado de Santa Catarina possui o maior sambaquis do mundo, espalhados pelo seu litoral, de norte a sul. Esses sambaquis chegaram a ter centenas de metros de extensão por 25 metros de altura e idade aproximada de 5.000 anos.
O povo dos sambaquis ignoravam a olaria, a agricultura, a domesticação normal de qualquer espécie, mesmo o cão, que os índios atuais conhecem. Vivia principalmente da pesca e da apanha, e muito pouco da caça. Não possuindo instrumentos mais potentes de arremesso, talvez nem mesmo o arco e a flecha, a caça de animais grandes, como o tapir, a onça, certamente por meio de armadilha. A presença da baleia explica-se pela freqüência com que este cetáceo encalhava nas nossas praias, fato muitíssimo registrado ainda nos séculos XVI e XVII.
Como o alimento era muito abundante no litoral, esse povo não precisava ficar se deslocando como os do interior. Só deveriam ter o cuidado de escolherem lugares elevados, próximos da praia, onde tivessem também alguma fonte de água doce e daí estabeleciam-se por anos, ou até séculos.
COMO ERAM ELES?
Entre as características físicas mais marcantes deste povo está nas diferentes alturas dos esqueletos de homens, com uma média de 1,60m, e de mulheres, com 1,50m, ambos vivendo 30 a 35 anos em média.
O tórax e membros superiores bem desenvolvidos levam a crer que os indivíduos eram bons nadadores e provavelmente remadores de canoas. Tal suposição é apoiada também pela presença de restos de peixes de espécies como a garoupa e miragaia, típicas de regiões mais profundas e com pedras que, para serem capturadas, exigiria que o pescador se deslocasse da beira da praia.
Outra característica importante é o desgaste de algumas regiões da arcada dentária, que aponta o costume deste povo consumir alimentos duros e abrasivos.
Apesar do número de sambaquis existentes no Brasil não ser consenso entre os arqueólogos, é possível que possam passar de mil, com idades que variam de 1,5 mil a 8 mil anos, sendo que a maioria tem cerca de 4 mil anos. As datações são feitas através do método do carbono 14 em carvões fossilizados em várias alturas de um sambaqui.
No Brasil, o estudo científico dos sambaquis é relativamente recente e mesmo em toda a América do Sul poucas são as análises, que foram seriamente estudadas. Além disso, muitos sítios arqueológicos já foram danificados.
Muitos sambaquis foram destruídos pela exploração inconseqüente das pessoas.
A cultura sambaqui desapareceu misteriosamente há quase 1.000 anos. Acredita-se que foram exterminados pelos tupis ou aculturado por eles.
Os sambaquis constituem o alicerce básico para entendermos a cultura de um longínquo período da evolução do homem, por isso é tão importante a sua preservação.
Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Personalidades
"Paixão desde guri"
O escritor e jornalista Carlos Urbim, conterrâneo do célebre folclorista, revive a infância do menino João Carlos, já atento àqueles tempos para os pequenos requintes da vida doméstica e as manifestações culturais do povo rio-grandense.
Por Carlos Urbim.
Escritor e jornalista, autor de Um Guri Daltônico, entre outros livros
Ao preencher os espaços vagos no álbum Nosso Bebê, comprado havia meses na Livraria A Predilecta em Bagé, Dona Maria Fátima D"Ávila Paixão caprichou na caligrafia. Na página da dedicatória, chamou o marido, que assinou Julio Paixão Côrtes no lugar destinado ao papae. Com carinho e cuidado, a mãe registrou os dados na página sobre o nascimento: às três da madrugada do dia 12 de julho de 1927, na casa número 101 da Rua Rivadávia Corrêa, nasceu em Santana do Livramento uma criança do sexo masculino, pesando quatro quilos e medindo 59 centímetros. tia página sobre as roupinhas, com muitas linhas para o rol, Dona Fátima declarou com econômico orgulho: o bebê, ao nascer, já possuía o enxoval completo.
Entre os casacos, mantilhas e sapatinhos tricotados, estavam também a certeza de uma infância feliz e a paixão que começou desde guri. Na esquina da Rivadávia com a Rua Uruguai, entre a casa dos pais e a dos avós maternos, o menino João Carlos ouvia todos afirmarem: foi bem aqui que o argentino José Hernández, depois dos entreveros da Guerra do Paraguai, começou a declamar os primeiros versos do célebre Martim Fierro. Nada melhor para um moleque curioso, que um dia entregaria a vida à pesquisa da cultura popular.
O monumento também foi pequeno:
Paixão Côrtes com apenas quatro meses
Os pátios das duas casas - imensos - eram interligados. Em torno do poço, os jardins e a horta com abóboras, alfaces, couves, repolhos, nabos, beterrabas e cenouras. Mais adiante, o pomar com laranjas, pêssegos, uvas, bergamotas, limas, abacates. Tão grandes eram os pátios que o pai, técnico de ovinocultura da Secretaria da Agricultura, trazia cordeirinhos quando voltava das viagens de inspeção. Eram os bichos de estimação do guri que, adulto, enveredaria pela mesma profissão e se tornaria expert na classificação de ovinos.
Está no sangue, qualquer Ávila gosta de tocar um instrumento, cantar e dançar. Tem sido assim desde os primeiros que vieram do condado de Ávila, em Portugal. O avô, João Pedro Rodrigues Ávila, alto, moreno, bigodudo, tirava da gaita de oito baixos rancheiras e polquinhas de limpar banco. Foi repassando para o neto o gosto pelos ritmos e pelas coreografias das danças campeiras. E o piá herdou ainda a predileção por bigodes imensos, que se tornariam uma característica.
Bem que João Carlos tentou. Foi, durante dois anos, aluno assíduo e esforçado nas aulas de piano da Dona Mosquita. Aprendeu a ler partituras e a aprimorar o ouvido, lições que aproveitaria para sempre, mas desistiu de ser pianista. Nas festas dos Ávilas, passou a cantar e dançar. E o interesse pelas indumentárias pode ter nascido numa fusão cultural só possível no Carnaval: quando tinha cinco anos, usou pela primeira vez pilchas gaúchas. E lá se foi ele para o baile infantil de chiripá, lenço, bombacha, bota e chapéu virado na testa. Se tivesse na mão um laço, em vez de pacotinho de confete e bisnaga de lança-perfume, não seria o esboço inicial de uma estátua?
O gosto pelos detalhes, pequenos requintes da vida doméstica e as manifestações culturais do povo rio-grandense, tudo com o jeito artístico dos Avilas, vem junto desde a Rua Rivadávia Corrêa. Baixinha, delicada, a avó espalhava aromas de essências pela casa. No banho, jamais esfregava o rosto de maçãs largas, para conservar a pele cor de cuia. Habilidoso, o avô sentava na frente de casa para esculpir palitos. Espalhava na calçada pedacinhos de sarandi bem maleável e, com faca afiadíssima, moldava centenas de palitos. Os prontos iam para caixas de chá da índia. Não havia visita que não saísse com uma caixinha de presente.
Quem é Ávila tem olhos vivos, contornados por olheiras। De tanto querer ver tudo. Movido por essa paixão, o guri de Livramento se mudou para Uruguaiana, onde foi escoteiro e craque de basquete. Quando estava mais taludo, veio de muda para a Capital, como aluno do internato do IPA. E aquele pimpolho do álbum Nosso Bebê um dia virou modelo de monumento, esculpido por Antonio Caringi. Adulto, chegou a 1m82cm. Mas a escultura de bronze inaugurada em 20 de setembro de 1958 na porta norte de Porto Alegre tem 4m45cm de altura, pesa 3,8 toneladas e está sobre um pedestal de granito de 2m10cm. De bom tamanho para quem nasceu com quatro quilos e 59cm.
O folclorista Paixão Côrtes, personagem decisivo da cultura gaúcha e do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul é o 16o entrevistado de Passado Presente, série que revista a formação do pensamento crítico contemporâneo no Estado
É realmente uma pena que o jornal não tenha som, porque a entrevista que se vai ler ganharia muito se fosse acompanhada do verbo vivo do entrevistado. João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes é uma figura inesquecível em vários sentidos, incluindo o sentido da audição: as pausas, as ênfases, as exclamações, as suspensões, os "Bá" alongados, a entoação para acompanhar a referência a uma antiga canção, tudo isso é irrepetível na folha de papel.
Um pouco assim, inapreensível, é o valor e o alcance da obra de nosso entrevistado. Nascido a 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento, de pai agrônomo e mãe dotada de boas qualidades musicais, Paixão Côrtes parece ter sintetizado essas duas marcas - formou-se em Agronomia também, e é artista também, não do canto mas da dança - e ao mesmo tempo parece haver ultrapassado os limites do que se poderia esperar de alguém com sua história. Por quê? Porque ele é um dos sujeitos diretamente responsáveis pelo nascimento da atual voga gauchesca. "Um dos" é muito pouco: Paixão Côrtes é um dos dois formuladores e animadores decisivos do movimento tradicionalista gaúcho - o outro é o falecido Luiz Carlos Barbosa Lessa, a quem nosso entrevistado se refere como "o Lessa", um sujeito quieto, com pendor literário e intelectual, de alguma maneira o oposto complementar de Paixão, mais arrebatado, mais homem de ação e iniciativa.
A estrada foi longa e cheia de percalços. Começa, talvez, na vivência campeira. Segue na experiência de peão, desempenhada todas as férias, em contraponto com a vida escolar urbana em Santana, Uruguaiana e Porto Alegre, sucessivamente. Continua, quem sabe, na dura passagem em que perde o pai e precisa trocar o colégio privado pelo público, o diurno pelo noturno, a vida relativamente inconseqüente pelo trabalho. Deslancha, a partir de 1947, quando se junta com amigos igualmente interioranos e saudosos da vida agauchada (entre os quais Lessa) e com eles literalmente inventa uma tradição: a de fazer vigília de um fogo tirado à Pira da Pátria, que arderá dali por diante pela imaginária, afetuosa, desejada "pátria" sul-rio-grandense.
Paixão Côrtes e Barbosa Lessa partem para a pesquisa de campo, para recuperar traços de cultura popular local eventualmente sobreviventes à avalancha da cultura norte-americana, quer dizer, estadunidense, que, vitoriosa na II Guerra, cobrou um preço alto das neocolônias. Paixão e Lessa, expressando ativamente o mal-estar do momento, partiram para a ação, viajando pelo Interior para salvar o passado da intensa voragem novidadeira. Estava sendo gestado o lado cultural-popular do tradicionalismo, antes mesmo de a palavra "folclore" entrar no discurso de todo mundo.
Paixão Côrtes não se limitou a isso. Serviu de modelo para a estátua do Laçador e foi garoto-propaganda televisivo, nos primórdios do veículo, vestido à gaúcha quando isso era ainda uma esquisitice. Organizou o 35 CTG, liderou grupos de música e dança, viajou à Europa como artista, fez e aconteceu. Poderia estar calmamente, agora, curtindo as glórias de sua intensa vida. Mas não: parece mais ativo que nunca, insatisfeito com certos aspectos do tradicionalismo. Ele diz que a coisa está muito amarrada, embretada, com pouca variação.
A sensação que fica é de que mais três dias de entrevista ainda não seriam suficientes para ouvir tudo o que ele tem para contar। Mas o espaço é finito, e o foco desta entrevista, realizada em sua casa, em Porto Alegre, foi o período de gestação deste fenômeno absolutamente impressionante que é o mundo do tradicionalismo, dos CTGs, da identidade cultural gaúcha, que ele ajudou a estabelecer. Vida e obra associadas fortemente, as de Paixão Côrtes, um sujeito da maior relevância para entender nosso tempo.
Senhor da linguagem e do vento
Jayme Caetano Braun morreu ontem aos 75 anos
ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES
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| (foto Banco de Dados/ZH, 17/3/83) |
Cuerpo presente, alma ausente. Yo quiero aqui los hombres de a caballo, como Lorca diante do corpo inanimado de Ignacio Sanchez Mejía, buscando la salida para este capitán atado por la muerte.
Jayme Caetano Braun chegou deitado como dormido em seu esquife de dura madeira campeira. Pilchado, como convém aos que se vão de tropa estrada afora, tinha um lenço maragato atado no pescoço. Ele, o Chimango, que herdara o seu lenço branco do ídolo, o coronel Laurindo Ramos, na Bossoroca. Falei com dona Bréa, a companheira terna, a indiazinha que lhe devolvera o gosto das Missões.
– Na hora não achei o lenço branco, nem a boina branca de que ele tanto gostava.
Tirei o lenço branco dos Fagundes do meu pescoço e ofereci o velho gonfalão para que acompanhasse o poeta na última tropeada. Com a ajuda dos companheiros, trocamos o lenço colorado (que ele usou, por companheirismo, algumas vezes nos últimos tempos) pelo lenço branco, que sempre foi dele, que lhe deu o apelido carinhoso entre os amigos: Chimango. Mas aí chegou o governador Olívio Dutra, seu amigo e seu conterrâneo dos tempos em que a Bossoroca pertencia a São Luiz Gonzaga, e alguém achou que o poeta podia levar os dois lenços, que ele cantou em Branco e Colorado: “Até Deus Nosso Senhor, que usou bota, espora e mango, lhes garanto que é Chimango – se Maragato não for!”.
Jayme Caetano Braun, o mais gauchesco dos nossos poetas, o missioneiro de espinha dura, mestre da payada arrocinada, senhor da linguagem e do vento, o último grande de uma progênie de grandes, partiu. O Rio Grande do Sul ficou menos grande.
Os nomes mais famosos do gauchismo, da cultura em geral, estavam lá, hieráticos. A gente tem a impressão de que algum Deus campeiro esculpe em cedro das Missões cada um dos que vão caindo, para compor uma galeria sagrada para o altar do pago. Aqueles homens e mulheres que choravam em silêncio no Salão Negrinho do Pastoreio (o espaço mais nobre do palácio do governo gaúcho homenageia um negrinho humilde, escravo dos nossos campos, que coisa, hein, Chimango?) pareciam ter essa consciência. Eram, mais que admiradores do poeta, devotos de uma crença xucra, meio santa, meio pagã. Davidson Labrea, a meu pedido, comandou um Pai Nosso, ocasião em que todos se deram as mãos. A emoção era tão espessa que podia ser cortada a faca! Ary Fernandes Gonçalves (por quem ele perguntou na última entrevista que me concedeu) declamou Tio Anastácio, e tinha gente que chorava de fazer barro. Declamadores e declamadoras iam deixando sua derradeira homenagem ao poeta querido. Os mestres de truco do Pitoco guardaram uma flor de espadas no caixão do mestre-companheiro que partia.
Quando o caixão foi retirado do palácio, para a última viagem, a temperatura baixara perigosamente e um minuano uivava em volta, como um cachorro louco. Fazia frio, de repente, e o céu estava chumbado. Deus Nosso Senhor tinha decretado luto para o Rio Grande inteiro.
Na viatura da funerária que transportava o grande morto, havia um decalco dizendo: “Ah, eu sou gaúcho, tchê!”. Na hora, parecia mais um lamento.
| “Nós todos nos sentimos órfãos. Jayme Caetno Braun foi um manancial, cacimba da mais pura manifestação de nossa cultura.” Olívio Dutra, governador do Estado |
| “O mestre dos payadores. Jayme é o símbolo máximo do gauchismo. Perdemos o convívio, mas o Jayme se eterniza.” Eraci Rocha, presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) |
| “Jayme Caetano Braun sempre guardava para arremate um desfecho inusitado. Ele participava do milagre da criação.” João Sampaio, compositor |
| “ Só posso dizer do enorme vazio que ele deixa. O grande divulgador da payada parte sem ter tido um continuador.” Barbosa Lessa, escritor |
| “O Jayme se constitui no panorama da literatura gaúcha como um dos mais expressivos da temática nativa. Ele englobava os grandes problemas universais e não se restringia a assuntos galponeiros. O Jayme, embora se dissesse um nativista, era um grande versejador. É um dom divino colocar o tema da terra nos questionamentos universais.” Paixão Côrtes, folclorista |
| “Quem partiu agora não foi apenas um homem, mas uma bandeira de cultura. Jayme foi um homem ímpar. Me sinto honrado de ter sido contemporâneo dele. Estou sozinho. Como se tivesse perdido uma das coisas mais importantes da minha vida.” Lúcio Yanel, músico |
| “Era o grande timoneiro do movimento gaúcho. O que tinha que dizer, ele dizia.” Telmo Tartarotti, diretor da Rádio Liberdade FM |
| “Eu choro o homem. O que me deixa mais triste é que o meio artístico não produz mais homens como ele. Era um poeta destemido, corajoso. Ele reivindicava com a poesia. O Jayme Caetano Braun é como o Chico Buarque: me diz uma música ruim do Chico Buarque. O trabalho dele é pautado pela linguagem poética, ele nunca apelou. Até nas brigas de baile tem riqueza. É uma lenda. Não vai ter outro. Era um poeta cidadão, agia através da arte. Era um homem isento, independente.” João de Almeida Neto, músico |
| “O Jayme Caetano Braun não está na Academia Brasileira de Letras porque o regionalismo gaúcho não é aceito em todo o Brasil, como é o regionalismo do centro do país. Ele foi muito grande. Sabia dizer as coisas como todo gaúcho que conhece as lidas do campo.” Alex Hohemberger, diretor da Gravadora USA Discos |
| “Quando comecei no tradicionalismo, na invernada artística do CTG 35, nas apresentações eu declamava o Bochincho. Desde cedo aprendi a ler os livros do Jayme. Todo gaúcho o tem como o maior poeta do Estado.” Renato Borghetti, acordeonista |
| “O maior poeta que esse Estado teve, ao lado de Aureliano de Figueiredo Pinto. Ele nos deixa uma obra extensa.” Rui Biriva, músico |
| “O Jayme é referência para todo aquele que milita no Rio Grande do Sul. Foi o grande poeta que tivemos. Payador é o Jayme Caetano Braun e mais ninguém. Era uma pessoa radical na forma de pensar, sem abrir mão do que pensava.” Leo Almeida, músico |
| “Jayme foi um dos maiores poetas da nossa terra. Sua morte representa uma perda irreparável para o Rio Grande do Sul. A preocupação com os pobres e a indignação com a exploração das elites foram a sua maior fonte inspiradora. Particularmente, perdi um amigo, um parceiro e o padrinho de batismo.” Pedro Ortaça, músico |
| | O mais se perdeu nas noites de galpão MARCELO MACHADO Ele foi alambrador, tropeiro e curandeiro. Um artista missioneiro que fez da sua região o seu mundo. Da sua aldeia, uma pátria. Aos amigos, Jayme Caetano Braun costumava dizer que não era um poeta, apenas um payador. Nascido em 1924 em Timbaúva, distrito de São Luiz Gonzaga (hoje Bossoroca), o autor dos clássicos Bochincho, Galpão de Estância, Tio Anastácio e Galo de Rinha morreu às 5h30min de ontem, na Clínica São José, em Porto Alegre, vítima de complicações cardiovasculares. Morreu depois de receber quatro pontes de safena, enfrentar problemas de depressão e tentar o suicídio. Seu corpo foi velado no Palácio Piratini. Há tempos Jayme Caetano Braun não recebia os amigos. Perdera o gosto pela vida. Padrinho de muitos artistas, chamava-os de filhos, contava causos, fumava um charuto, fazia um mate, abria um sorriso. Adorava reculutar lembranças. Dizia o que tinha vontade de dizer, gostassem ou não. Lia jornais de diferentes lugares do mundo. Era um especialista em remédios caseiros – afirmava que todo missioneiro tem a obrigação de ser um curador. Sonhava fazer Medicina. Sem completar o Ensino Médio, acabou se tornando um autodidata. Sua imensa cultura foi apurada no período em que ocupou o cargo de diretor da Biblioteca Pública do Estado, entre 1959 e 1963. Especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos). Os poemas, que começou a escrever piazito, por influência da família, foram publicados em vários livros. O primeiro, Galpão de Estância (1954), trazia versos de temática campeira, quase sempre dedicados a objetos do universo do homem da Campanha: relhos, chilenas, laços, carretas. Jayme foi um dos fundadores da Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniu no final dos anos 50. Sua memória era uma arca sem fundo, que ele jamais se importou em trazer para a cidade. – Seus livros nada mais são do que instantâneos de algumas notas que o autor conservou – disse a seu respeito o poeta Balbino Marques da Rocha. – O mais se perdeu e se perderá nas noites de galpão. Jayme Caetano Braun era um artista polêmico, radical ao defender seus pontos de vista. Chegava a criticar quem ousasse tratar de um tema por ele já abordado. A tudo, porém, respondia com versos. Comparado a um corvo, numa referência a seu gosto por roupas escuras, respondeu certa vez: “O corvo é uma ave higiênica, que limpa todos os campos”. Escrevia sobre a cena campeira. Descrevia o Rio Uruguai, o domador de cavalos, o fogão da campanha, a religiosidade do gaúcho. Apaixonado pela cultura platina, costumava dizer: – Isso aqui é um pampa só. Para ele, brasileiros, uruguaios e argentinos são “piedras del mismo camino / aguas del mismo caudal”, como escreveu, em espanhol, em sua Milonga de Tres Banderas. Em seu panteão, Osório reunia-se a Artigas e San Martín. O gaudério anônimo de Bochincho era irmão de Martín Fierro, do Viejo Pancho, de Santos Vega e de Blau Nunes. Radialista, sua obra se espalhou pelo Brasil afora. Minas Gerais, Ceará, Pernambuco e Goiás são alguns dos lugares que têm CTGs com seu nome. Lançou discos e foi gravado por diferentes intérpretes nativistas. Uma coisa é certa: Jayme Caetano Braun foi inimitável. Sua arte era única, ninguém como ele fazia uma declamação improvisada com uma milongueada de violão. O destino fez com que morresse um dia antes de seu novo CD ser lançado. Hoje, como previsto, Êxitos 1, gravado há um ano e meio, chega à gravadora Usa Discos e segunda-feira, às lojas. O lançamento havia sido adiado porque Jayme queria estar em melhores condições de saúde. A voz do payador está aprisionada para sempre nos registros de estúdio. Para que sua emoção vibre, porém, basta que um declamador, em noite de lua e violão, quebre o silêncio com versos como “A um bochincho – certa feita, / fui chegando – de curioso, / que o vício – é que nem sarnoso, / nunca pára – nem se ajeita”. A partir desse momento, o poema correrá como um olho d’água. Afinal – como ele garantia –, para escutar payadores, até o silêncio se cala.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
Poesias Campeiras
A Morte do Brigadiano | |
Dimas Costa
Houve o tempo em que a "folha" A Prece de Maria Moacir D'Avila Severo O Sol desce na amplitude do espaço Cemitério de Campanha Jayme Caetano Braun Cemitério de campanha, Ecos do Vento Ilton Carlos Dellandréa Os ventos que rezam na pampa |


